AGREGANDO SABERES: Sistemas Agroflorestais e Sistemas tradicionais indígenas

por Maria Letícia Aragão

Iniciou-se no dia 28 de julho, de forma remota, o primeiro encontro do Curso de Agroecologia, Sistemas Agroflorestais e Sistemas Tradicionais Indígenas. Desenvolvido pelo Centro Cultural Brasil Alemanha (CCBA) em parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco / Unidade Acadêmica de Serra Talhada (UFRPE/UAST) e o Núcleo de Estudos, Pesquisas e Práticas Agroecológicas do Semiárido (NEPPAS), o curso objetiva fornecer conhecimentos básicos e trocas de experiências quanto a produção de alimentos agroecológicos, favorecendo a melhoria da qualidade de vida das famílias, a segurança e soberania alimentar bem como o fortalecimento da biodiversidade.

O curso é destinado a jovens agricultores/agricultoras rurais dos povos indígenas Pankará e Xucuru do estado de Pernambuco. Devido ao contexto da pandemia, os encontros serão realizados de modo remoto, durante seis semanas, todas as quartas-feiras.  Com a moderação de Christoph Ostendorf, Projeto AGREGA / Centro Cultural Brasil – Alemanha, as aulas serão ministradas pela Mestra em Engenharia Agrícola,  Maria Suely Siqueira Ferraz e pela e Estudante de Agronomia, Tânia da Silva Siqueira sob a orientação e supervisão do Prof. Dr em Engenharia Agrícola, Genival Barros Junior.

Dentre os temas que serão abordados ao longo deste período estão: Conceitos básicos de agroecologia, agroecossistema e agrobiodiversidade; O que é um Agroecossistema sustentável e Sistemas Florestais Sintrópicos (SAFs); Conceitos de  agrofloresta e agrofloresta sintrópica. Neste cenário, o Prof. Dr. Genival Barros destaca que: “Ser um produtor de orgânico não significa dizer que é agroecológico. Existem alguns princípios de solidariedade que devem ser respeitados”.


Além dos encontros online, estão previstas duas visitas destinadas à troca de experiências entre os povos indígenas participantes, a fim de conhecer as distintas realidades. Assim, os jovens Xucurus terão contato com a Aldeia Pankará no município de Itacuruba, PE, da mesma forma que, os  jovens Pankará farão uma visita à Aldeia dos Xucuru em Pesqueira, PE. Faz-se aqui uma ressalva, que as visitas presenciais estarão sujeitas à situação da pandemia para os próximos meses.

No primeiro encontro, durante as apresentações iniciais, foi ressaltado pelos participantes a importância do curso para as comunidades indígenas, no sentido de expandir o conhecimento acerca da agroecologia, mas também de novas formas de manejo da terra. Lucélia, cacique da aldeia dos Pankará, destaca: “Minha expectativa é aprender novas técnicas para aplicar no meu dia-a-dia. Pra ter conhecimento que agregue valor, que agregue saber”.

“A gente tem sangue indígena. A gente cresce já mexendo com a terra. Então plantar a gente sabe. Eu espero aprender (no curso), a manejar a terra, a aumentar a produção e a melhorar as técnicas”. Bruno Rafael, aldeia dos Xucuru.

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