AGREGA – Agroecologia com Energias Alternativas: primeiros avanços de um projeto participativo

Curso de agrofloresta promovido pelo Projeto AGREGA em Pesqueira-PE.

por Christoph Ostendorf* 

Desde o seu início em setembro de 2018, o projeto AGREGA está priorizando a articulação e participação de agricultores, agricultoras, associações, organizações não governamentais (ONG), universidades e outros atores públicos e privados comprometidos com a defesa e o desenvolvimento de políticas públicas em prol da agroecologia. A agroecologia é considerada uma das mais relevantes respostas aos desafios climáticos no Semiárido nordestino, assim como em outras regiões do mundo, pela sua capacidade de reforçar a biodiversidade e soberania alimentar da população. 

A partir de dois workshops em 2018, grupos nos quatro municípios pernambucanos de Exu, Afogados da Ingazeira, Pesqueira e Brejo da Madre de Deus, todos na região semiárida, elaboraram projetos que visam o emprego da energia solar fotovoltaica na agroecologia. A realização dos projetos acontece em estreita cooperação com a equipe do projeto AGREGA havendo constantes reuniões e ajustes. 

Em Exu, no Sertão do Araripe, a Associação dos/as Agricultores/as Familiares da Serra dos Paus Dóias  (Agrodóia) sugeriu a aplicação da energia solar numa indústria agrícola comunitária para beneficiar diversas plantas do bioma caatinga. Paralelamente, será reforçado o plantio nas propriedades de quatro famílias associadas através da ampliação e melhoria de áreas irrigadas aumentando assim a matéria prima para a agroindústria. O grupo já recebeu o material para a irrigação e a instalação do sistema fotovoltaico já foi solicitado. 

Em Afogados da Ingazeira, no Sertão do Pajeú, estamos juntos com a Diaconia, Prefeitura Municipal, Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e o seu Campus em Serra Talhada (UAST), desenvolvendo oito miniprojetos de piscicultura com irrigação ou aquaponia, para aumentar o consumo de peixe e possibilitar o cultivo de diversos hortaliças e plantas medicinais. Pretende-se desenvolver rações alternativas para os peixes aproveitando plantas e resíduos das propriedades dos agricultores envolvidos. 

Em Pesqueira, Agreste do estado, existem mais dois grupos sendo o grupo de mulheres no assentamento de Novo Cajueiro e o povo indígena Xukuru. As mulheres de Novo Cajueiro contam já com um prédio destinado à produção de laticínios. Como não há previsão de receber equipamentos para este tipo de agroindústria e o prédio já foi construído respeitando as normas para agroindústrias comunitárias as mulheres decidiram pelo uso do espaço para a produção de polpa de fruta. Já receberam material hidráulico que está sendo colocado até o final de julho e o AGREGA fechou o contrato para a implementação do sistema fotovoltaico no prédio que deve ocorrer setembro. As mulheres esperam assim melhorias consideráveis para a comercialização dos seus produtos para conquistar novos clientes, tendo outras alternativas, além do Programa de Compra de Alimentos da Prefeitura.

Os Xukurus igualmente já aguardam a instalação do equipamento fotovoltaico. Antes disso o projeto AGREGA viabilizou a construção de uma cisterna de 72 mil litros, a implantação de um Sistema Agroflorestal (SAF), a partir de um curso, e a aquisição de uma forrageira elétrica. A construção da cisterna, aquisição de material hidráulico/de irrigação e o sistema fotovoltaico possibilitarão a irrigação de uma sementeira, horta e do sistema SAF assim como a recuperação da área a redor da Casa das Sementes Mãe Zenilda, onde existem salas de sementes e para manipulação de plantas medicinais. Além disso a casa é um espaço de referência para cursos em agroecologia e biodiversidade. Parte da energia gerada pelo sistema fotovoltaico ajudará em sua manutenção.

Em relação ao município de Brejo da Madre de Deus, também no Agreste, o AGREGA decidiu apoiar a Associação Terra Fertil na área do Sítio Xéu, onde trabalham mais de  10 famílias no cultivo agroecológico. O projeto vai apoiar essas famílias com um sistema fotovoltaico e material de irrigação assim como na melhoria de uma sala de beneficiamento onde os agricultores produzem polpa de fruta e embalam outros produtos. Imagina-se aumentar a área irrigada das famílias em dois a três hectares sem necessidade de desmatamento e melhorar as condições de produção. 

* Christoph Ostendorf é coordemador do Projeto AGREGA – Agroecologia com Energias Alternativas, executado pelo CCBA – Centro Cultural Brasil – Alemanha.

Deixe uma resposta